Desde a década de 90 apenas cinco
mulheres assumiram o cargo de vereadora na Câmara de Toledo
Não
é de hoje que a presença feminina nos assuntos de interesses
políticos são evidenciados. No Brasil, a luta se estende desde 1927
quando a Lei Eleitoral do Estado do Rio Grande do Norte determinou em
seu artigo 17: “No Rio Grande do Norte poderão votar e ser
votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as
condições exigidas por esta lei”. Com a inserção da lei, em
1929 a primeira prefeita do Brasil elegeu-se na cidade de Lages (RN).
Luiza Alzira Soriano Teixeira (32) foi a primeira mulher brasileira a
assumir um cargo de tamanha importância dentro da política
brasileira. Ela foi eleita com 60% dos votos. No entanto, seu mandato
não durou mais do que sete meses: após a Revolução de 1930 ela
foi destituída pelo governo Getúlio Vargas.
Mesmo
sem exercer suas atividades como prefeita e após o período de
redemocratização, Alzira mantinha se firme e em 1945 voltou à vida
pública, desta vez como vereadora da sua cidade natal, Jardim de
Angicos (RN). Por mais duas vezes consecutivas foi eleita, liderou a
União Democrática Nacional (UDN) e chegou à Presidência da Câmara
de Vereadores.
Alzira
Teixeira foi a grande pioneira de inúmeras histórias que se
repetiriam posteriormente em tantas outras cidades do Brasil.
Vereadoras, prefeitas, senadoras, governadoras e deputadas foram
conquistando à cada dia mais a simpatia do povo brasileiro e com
isso pegaram gosto pelos embates políticos e sociais. Atualmente, o
Brasil possui além da Presidenta da República e da chefe do poder
executivo, duas governadoras, 11 senadoras, 45 deputadas federais e
134 deputadas estaduais. Nas eleições municipais de 2012 foram
eleitas, ainda, 657 prefeitas que correspondem a 11,84% do total das
5.568 vagas e 7.630 vereadoras, número este que equivale a 13,32%
dos eleitos.
Hoje,
o legislativo de Toledo é composto por um grupo de 19 vereadores
sendo que destes, apenas uma é do sexo feminino. Sueli Luckmann
Guerra foi eleita em 2012 e é hoje a 5ª vereadora a assumir cargo
legislativo no município. Ingressou na carreira política em 2004
quando ficou como segunda suplente. Não contente com o resultado, em
2008 ela retornou às urnas e recebeu 1.158 votos conquistando assim,
a primeira suplência do PMDB. A terceira tentativa de legislar no
município aconteceu nas últimas eleições, quando em 2012 Sueli
foi a mulher mais votada e com 926 votos elegeu-se para o cargo tão
desejado.
No
primeiro discurso de Sueli, a vereadora levantou a bandeira da
formação política feminina antes das eleições. “É preciso
fomentar a participação da mulher muito antes de fechar nominata. É
preciso abrir espaço para que a mulher participe do processo”,
declarou. A participação feminina nos cargos proporcionais –
deputado federal, estadual e distrital e vereador – é assegurada
pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997 que, em seu artigo 10,
parágrafo 3º estipula o preenchimento das candidaturas com o
mínimo de 30% e o máximo de 70% para cada sexo. Apesar da lei,
Sueli afirmou ainda, que uma das principais deficiências da política
da região oeste do Paraná é que até aquele momento não existia
espaço para uma real formação de liderança feminina. “Eles
respeitam somente a lei de cotas. A mulher tem que ter espaço e não
é simplesmente um espaço com cinco ou seis candidaturas. É preciso
que as candidatas tenham acesso a recursos e recebam apoio dos
partidos”, afirmou.
Primeira
Mulher
Não
faz muito tempo que a participação feminina na política de Toledo
começou a dar seus primeiros passos. Em 1992, Maria Cecília
Ferreira, com 35 anos de idade foi eleita vereadora na X
legislatura do município e cumpriu mandato no período que vai de
janeiro de 1993 a dezembro de 1996. Pela primeira vez, Toledo
possuía uma mulher no poder e a aceitação dos demais legisladores
não foi tão simples. Maria conta que foi preciso atuar firmemente
em certos setores da sociedade que só uma mulher poderia
compreender. “Procuramos
levantar e trazer para dentro da Câmara assuntos que comumente não
eram debatidos pelos homens, como por exemplo a importância da
construção de novas creches, a implantação de Centros de Educação
infantil - que na época já eram problemas, aliás um problema
muito maior - pois não existia ainda a obrigatoriedade de estar
constituído e isso era um problema para as mulheres que trabalhavam.
Enfim, essa e uma série de outras circunstâncias que a gente
procurava levantar”, declarou.
Quando
assumiu o cargo de vereadora, se manteve durante todo o seu mandato
como presidenta da comissão de legislação e redação, considerada
uma das mais importantes da Câmara. Uma das ações de maior
relevância implantadas por ela e todo o legislativo da época, foi a
realização de audiências públicas que até aquele momento não
aconteciam. Hoje a participação da população durante as sessões
e audiências já se tornou comum.
“A ideia foi exatamente do que ocorre hoje, que é convocar a
população para discutir os projetos de lei. Introduzimos essa
prática e democratizamos os trabalhos do legislativo”, afirmou.
Maria
Cecília não chegou ao poder por acaso. Hoje, está em Toledo há
mais de trinta anos e possui uma longa trajetória dentro de grupos
que lutaram por melhorias para o município. Ainda muito jovem
participava de grupos estudantis e foi uma das fundadoras do Conselho
Municipal dos Direitos da Mulher, criado em 1985. “Até aquele
momento só existia um conselho em Curitiba, então Toledo foi o
primeiro município do interior do estado à receber essa entidade”,
comentou. Além disso, ainda conheceu de perto a realidade da
Associação
das Donas de Casa e em 1989 foi eleita a primeira presidenta do
Sindicato dos Servidores de Toledo. “Pelo fato de eu ser servidora
pública, tive durante a minha campanha à vereadora um grande apoio
desta classe”, revelou.
O mandato de Maria Cecília se
encerrou em 1996. Atualmente ela atua como Secretária de Políticas
para Mulheres em Toledo.
Dificuldades
Logo após o encerramento do mandato
de Maria Cecília, outra mulher que assumiu o poder no legislativo
foi Maria de Fátima Quirino Campagnolo, a qual foi a primeira e
única mulher a assumir a presidência da Câmara. Após o seu
mandato, foi a vez de Florinda Aparecida de Oliveira tomar a frente
da representação feminina durante o período que vai de 2001 a
2004. Segundo ela a experiência pessoal adquirida foi o seu maior
ganho, mas a falta de experiência fez com que algumas situações
fossem barreiras. “Você só aprende a ser vereador/a durante o
processo. A gente tem que matar um leão por dia”, desabafou.
Florinda revelou que a baixa
participação da mulher nos assuntos políticos é decorrente de uma
série de fatores sociais. De acordo com ela, o que fica claro é que
a maioria das mulheres não acreditam em si mesmas e por isso
procuram não se envolver. “ Muitas mulheres acham que não tem
competência para participar da política. Como se servisse apenas
para os outros”, comentou. “É preciso que as mulheres entendam
que da mesma maneira que estamos dominando quase todas as áreas da
sociedade, também precisamos ter voz ativa na política”,
complementou. As situações citadas pela ex vereadora revelam que
ainda existe um certo paradigma que precisa ser quebrado. “Nós
enquanto mulheres temos que colocar no legislativo as nossas pautas e
as nossas bandeiras”, declarou.
Equidade de Gênero
Após Florinda, quem assumiu o cargo
de vereadora foi a peemedebista Rosali Campos que foi vereadora
durante o período que contempla os anos que vão de 2005 a 2008. Na
legislatura seguinte, a Câmara Municipal voltou a estaca zero sem
ter nenhuma mulher eleita, entretanto a participação de duas
vereadoras suplentes, marcou história no ano de 2010 quando Rosali
Campos e Sueli Guerra assumiram o cargo – ao mesmo tempo - durante
o período de 30 dias o cargo.
Atualmente, quem faz a frente feminina
no legislativo é a Vereadora Sueli Guerra que não mede esforços em
defender as causas da classe feminina. Entre uma de suas lutas
constantes está a questão da equidade de gênero. Logo no início
do seu mandato Sueli travou uma guerra ferrenha em prol do nome da
Secretaria de Políticas para Mulheres que poderia ser chamada de
Secretaria de Políticas para Mulheres e Equidade de Gênero. A ação
aconteceu em decorrência do posicionamento contrário de outros
vereadores. “É uma pena que a secretaria não carregue o termo
equidade de gênero, uma vez que ele se refere ao tratamento
igualitário da mulher dentro da sociedade. Tendo igualdade na
conquista de empregos, posições profissionais e salários merecidos
de acordo com a função que exercem”, finalizou a Vereadora.

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